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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Homenagem a um Amigo que se Foi



Definitivo

Carlos Drummond de Andrade

"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Bolo com Creme de nozes e Ganache - Receita de Ano Novo - Esperança

Para comemorar a passagem do ano fiz um
Bolo com Creme de nozes e Ganache.


--


* * *
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um anonão apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,mas com ele se come,
se passeia,se ama, se compreende, se trabalha,você não precisa
beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mude me seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,direitos respeitados,
começandopelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,você, meu caro,
tem de merecê-lo,tem de fazê-lo de novo,
eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.
* * *
Esperança
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem Atira-se
E — ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Imagem do Google
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética",
Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.
* * *

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pavê de Pêssego - Carlos Drummond de Andrade

-


Ingredientes


2 lata de pêssegos em calda
2 lata de leite condensado
2 lata de creme de leite
1 pacotes de biscoitos de champagne


Creme:
2 xícaras (chá) de leite
4 gemas
4 colheres (sopa) de maizena
Chantilly:
3 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de açúcar
1/2 colher (café) de baunilha
1 lata de creme de leite bem gelado e sem soro



Modo de Preparo
Chantilly:
1.Bata a manteiga com o açúcar e a baunilha, até obter um creme fofo
2.Acrescente o creme de leite e continue a bater até a consistência desejada
Creme:
1.Bata as gemas com o açúcar até dobrar de volume
2.Adicione a maizena
3.Leve uma panela ao fogo com o leite
4.Quando ferver, acrescente as gemas batidas com a maizena e um pouco de leite quente para ficar mais ralo
5.Mexa até engrossar
6.Espere esfriar e em seguida, adicione a ele o leite condensado e o creme de leite, mexendo sempre
7.Umedeça os biscoitos na calda de pêssego e arme o pavê em camadas de biscoitos e depois de creme
8.Comece e termine com os biscoitos
9.Finalize com os pêssegos picados com amêndoas
10.Cubra com chantilly e enfeite com pêssegos em fatias
11.Prepare o pavê um dia antes e conserve - o na geladeira





Caros amigos, em comemoração aos 109 anos do genial Carlos Drummond de Andrade, envio-lhes um dos seus maravilhosos poemas.bjx

Definitivo
Carlos Drummond de Andrade
"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

terça-feira, 26 de julho de 2011

Carlos Drummond de Andrade


Imagens do Google

Casa Arrumada
(1902-1987)
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Esperança, Receita De Ano Novo

Gente 2009 foi um ano difícil
na minha vida.
Havia momentos que eu achava que não ia aguentar.
Mas passou. . .
Para comemorar a passagem do ano fiz um
Bolo com Creme de nozes e Ganache.
Que 2010 seja muito melhor.
Bjs Nice.
* * *
E estava uma gostosura.
* * *
--

* * *
Receita de Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido

(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um anonão apenas pintado de novo,

remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,mas com ele se come,

se passeia,se ama, se compreende, se trabalha,você não precisa

beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens? passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar que por decreto da esperança

a partir de janeiro as coisas mude me seja tudo claridade,

recompensa, justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,direitos respeitados,

começandopelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,você, meu caro,

tem de merecê-lo,tem de fazê-lo de novo,

eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.
Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

* * *

Esperança

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem Atira-se

E — ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética",
Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.

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